A operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, já é considerada a mais letal da história do estado, com ao menos 130 mortos, incluindo civis e policiais — um deles com apenas 40 dias de profissão. Especialistas e organizações de direitos humanos denunciam o caráter genocida e a irresponsabilidade da ação.
A megaoperação realizada em 28 de outubro de 2025 mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, além do Ministério Público, com o objetivo de combater o Comando Vermelho. No entanto, o saldo da ação foi catastrófico:
Números alarmantes
- 132 corpos foram encontrados até o momento, segundo moradores e veículos de imprensa.
- O governo do estado confirmou 58 mortes oficialmente, mas reconheceu que o número deve aumentar.
- Quatro policiais morreram, incluindo um com apenas 40 dias de serviço.
- A operação superou a do Jacarezinho (2021), até então a mais letal da história do Rio.
Denúncias e críticas
- Moradores relataram execuções, desaparecimentos e corpos abandonados em áreas de mata, especialmente na Serra da Misericórdia.
- Especialistas em segurança pública apontam que a operação teve perfil de “atirar para matar”, sem distinção entre civis e criminosos.
- Organizações de direitos humanos e juristas classificaram a ação como genocida, especialmente por atingir comunidades predominantemente negras e pobres.
Reação do governo
- O governador Cláudio Castro (PL) defendeu a operação como necessária para conter o avanço do tráfico, mas não explicou a discrepância nos números de mortos divulgados em diferentes momentos.
- A ação gerou caos urbano, com barricadas incendiadas, drones com explosivos e tiroteios em áreas densamente povoadas.
Clamor por responsabilização
A sociedade civil, parlamentares e entidades internacionais cobram investigação independente, responsabilização dos envolvidos e revisão urgente da política de segurança pública do estado. O episódio reacende o debate sobre o uso desproporcional da força, racismo estrutural e a militarização das favelas.


